VALE A PENA
majestosa montanha
que minha cobiça profana
áridos são teus caminhos
desbocados pergaminhos
que desolam a campana
ergo-me da cama a revelia
sonolenta distância de tudo
da glória que fascina em harmonia
convencendo-me que não sou
o que deveria
comisero-me desesperado
rogo-me foragido
e enterrado
em meu próprio ermo
congelado
montanha gigante e potente
que esmaga-me a despeito
daquilo que eu tente
tu és o marco da aurora
e do poente
por teu topo pelejo caduco
e sigo em frente
oh sublime montanha
afasta a nefasta
ilusão que nos aparta
fortalece o passo daquele
que segue tua carta
eu sou a montanha!
tanto forte quanto efêmera
sigo resoluto ao píncaro
jubiloso
sem temer o infortúnio
pesaroso
eu mesmo sou a antena
que capta, julga e acena
o exato ponto em ti
que vale a pena
15 nov 2006


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