Thursday, November 16, 2006

LADRÃO DE PALAVRAS

não há nada de novo
entre o céu e a terra
nem mesmo tão nobre discurso
ou aquele que o reitera

sou um ladrão de palavras

tomo para mim
os alheios dizeres
que publicados em folhetim
vendem prazeres
verborrágicos perfumes de jasmim

de meu mesmo
não tenho nada
só aquilo que como
mastigo
e dou uma cagada

colho palavras no mundo
como quem colhe bananas
palavras que eu não inventei
nem tão pouco entendi

de tanto que colho palavras
vez em quando sai um conto
tem conto feliz
e outro meio ácido
de grão em grão
empapuça-se o galináceo

13 nov 2006

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