MORDENDO SENTIMENTOS
toda expressão
é tola e insignificante
perante a sutil e inefável
existência do sentimento
o tempo é uma ilusão
tal qual o espaço que o define
nada do que se mostra
de fato é
senão sonho misterioso
epopéia longa e sinuosa
gotas da majestosa
sinfonia que é
o mar a todos engole
tanto o da montanha
quanto o que da onda foge
meu caminho não é
melhor do que o seu
nem tão pouco meu pífano
mais virtuoso que orfeu
mordo o verbo que profiro
dando uma dentada
naquilo que vem comigo
a lumbriga a mim destinada
uma mutação sem precedentes
canta o ritmo dos meus passos
embala meus sonhos mais vagos
e molda minha pele com os dentes
entender o que sinto agora
é morder o próprio dente
12 nov 2006


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