Thursday, November 16, 2006

MORDENDO SENTIMENTOS

toda expressão
é tola e insignificante
perante a sutil e inefável
existência do sentimento

o tempo é uma ilusão
tal qual o espaço que o define

nada do que se mostra
de fato é
senão sonho misterioso
epopéia longa e sinuosa
gotas da majestosa
sinfonia que é

o mar a todos engole
tanto o da montanha
quanto o que da onda foge

meu caminho não é
melhor do que o seu
nem tão pouco meu pífano
mais virtuoso que orfeu

mordo o verbo que profiro
dando uma dentada
naquilo que vem comigo
a lumbriga a mim destinada

uma mutação sem precedentes
canta o ritmo dos meus passos
embala meus sonhos mais vagos
e molda minha pele com os dentes

entender o que sinto agora
é morder o próprio dente

12 nov 2006

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