ECOS DA SOLIDÃO
triste do filósofo poeta
exposto às víceras da mente
ciente delas tal qual
o porco acoado
sabe do cutelo à sua frente
triste do filósofo poeta
arrebatado pelo fogo da paixão
e parasitado pelo conhecimento
da fugacidade e inconstância
de tudo aquilo que se move
triste do filósofo poeta
encantado por místico perfume
pueril e cego se entrega
à busca de si mesmo na carne de outrem
tão alheia a ele quanto sua própria
triste do filósofo poeta
enlameado pela imundice
de suas próprias veias
iludido pelo astuto véu
que em único ato a tudo revela
e esconde
triste do filósofo poeta
ao defrontar-se com a
solitária e silenciosa
morte
que iminente e paciente
o espera
triste do filósofo poeta
distraído pelas grugumilas orgânicas
tolo esquecido
da real dimensão de seu poder
feliz do filósofo poeta
que usa sua filosofia
como diz respeito
e sua poesia
como lhe é de direito
reatando-se pois ao botão
de seu amor verdadeiro
12 nov 2006


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