ECOS DA SOLIDÃO - 2
triste do apaixonado poeta
que moribundo olha para o céu
saudoso de sua amada
encrustado em alguma prega
do intestino do mundo
triste do apaixonado poeta
pobre pecador andarilho
que nada leva do caminho
senão jubilosas lembranças
daquilo que foi e não é mais
triste do apaixonado poeta
pois não há mal que não se agüente
nem prazer que definitivo o contente
no impiedoso vendaval da vida
que a todos absolve
e revolve
e leva embora
triste do apaixonado poeta
destituído de qualquer apoio
que em nada vê sentido
senão no pecado redimido
que ele nem lembra ter cometido
triste do apaixonado poeta
procurando desesperado pelo remédio
que o cure da doença vil e implacável
da vida
sexualmente transmissível
triste do apaixonado poeta
que pacientemente aguarda
a onda que o levará para longe
de sua própria monstruosidade
feliz do apaixonado poeta
bem sucedido na construção do castelo
de serenidade e desapego
e assim controla como mestre do zêlo
o curso de seu mergulho
na mulher que o completa, redime e cura
fogo de sua maior paixão
11 dez 2006


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